Novas pesquisas redesenham a corrida pelo Buriti: Celina amplia vantagem e Arruda tenta reagir

 

A corrida pelo Governo do Distrito Federal entra em uma nova fase com um movimento que começa a ganhar consistência nas pesquisas: Celina Leão aparece na liderança, José Roberto Arruda permanece como principal adversário e a distância entre os dois aumentou em relação às primeiras sondagens do ano.

O levantamento mais recente do Instituto Gazeta de Pesquisas (Igape) coloca Celina com 33,4% das intenções de voto, contra 23,7% de Arruda. A diferença entre os dois primeiros colocados chega a 9,7 pontos percentuais.

Realizada entre 10 e 15 de agosto, a pesquisa ouviu 2 mil eleitores e tem margem de erro de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número DF-02390/2026.

Mais importante do que observar apenas a fotografia atual é acompanhar o movimento.

Em junho, Celina aparecia com 27,8% e Arruda com 23,5%. Na rodada seguinte, a governadora avançou para 32,4%, enquanto o ex-governador registrou 24%. Agora, Celina chega a 33,4%, enquanto Arruda aparece com 23,7%.

Os números desenham uma tendência: Celina cresceu e ampliou sua vantagem; Arruda permaneceu em uma faixa relativamente estável de intenção de voto.

Ainda assim, a eleição está longe de estar definida.

A vantagem de Celina

A governadora chega ao início oficial da campanha em uma posição que combina três fatores importantes: liderança nas pesquisas, presença no comando do Executivo e uma estrutura política construída ao longo dos últimos anos.

Essa vantagem, porém, traz também uma consequência.

A partir de agora, a campanha deixa de ser apenas uma disputa sobre projetos futuros e passa a ser, também, uma avaliação do governo atual.

Cada obra, programa, promessa cumprida ou problema não resolvido poderá ser incorporado à narrativa eleitoral.

Para Celina, o desafio é transformar a liderança nas pesquisas em uma preferência consolidada até outubro, mantendo ao mesmo tempo uma comunicação capaz de alcançar eleitores que ainda não decidiram seu voto.

Arruda permanece como principal adversário

Apesar da vantagem de Celina, os números de Arruda mostram que sua candidatura continua relevante.

Com 23,7%, o ex-governador permanece isolado na segunda colocação e mantém uma distância considerável em relação aos demais concorrentes.

É um dado politicamente importante.

Arruda retorna à disputa depois de anos fora do Palácio do Buriti, mas ainda conserva um eleitorado próprio e uma marca política reconhecida no Distrito Federal.

Sua campanha aposta justamente nessa experiência e na memória administrativa de seu período à frente do governo.

O problema é que, para transformar os atuais 23,7% em uma candidatura competitiva para o segundo turno, Arruda precisa crescer em um cenário no qual Celina já conseguiu abrir vantagem.

A questão jurídica acompanha a candidatura de Arruda

Além da disputa nas ruas, Arruda enfrenta uma segunda batalha: a jurídica.

O pedido de registro de candidatura foi apresentado dentro do prazo eleitoral, mas o protocolo não significa, por si só, que a candidatura esteja definitivamente deferida.

A Justiça Eleitoral ainda analisa os registros apresentados para a disputa de outubro. O calendário estabelece 14 de setembro como prazo para que os pedidos de registro, inclusive aqueles que tenham sido impugnados e os respectivos recursos, estejam julgados pelos tribunais regionais eleitorais.

A situação torna a candidatura de Arruda um dos elementos que podem influenciar o desenho da eleição nas próximas semanas.

Enquanto isso, ele segue em campanha e aparece nas pesquisas como o principal nome de oposição a Celina.

Quase um quinto do eleitorado ainda não escolheu

Há outro número que merece atenção.

Na pesquisa mais recente, 19,4% dos entrevistados não souberam ou não quiseram declarar preferência.

É um contingente próximo de um em cada cinco eleitores.

Esse dado impede que a liderança de Celina seja interpretada como uma eleição encaminhada. O eleitorado ainda pode mudar de posição à medida que os candidatos ampliem a exposição, apresentem propostas e sejam submetidos ao confronto direto durante debates e na propaganda eleitoral.

Em uma disputa que pode chegar ao segundo turno, esse grupo será decisivo.

A pergunta deixa de ser apenas quem está na frente e passa a ser: para onde irão os votos de quem ainda não escolheu?

Os demais candidatos buscam espaço

A concentração inicial dos votos entre Celina e Arruda não significa que os demais candidatos sejam irrelevantes.

Leandro Grass aparece na terceira colocação, com 9,4%, seguido por Paula Belmonte, com 4,3%, Ricardo Cappelli, com 3,5%, e Kiko Caputo, com 2,8%.

São percentuais menores, mas que podem adquirir peso estratégico conforme a campanha avançar.

Uma candidatura que consiga crescer pode alterar a distribuição dos votos no primeiro turno. Da mesma forma, uma eventual concentração do eleitorado em torno dos dois primeiros colocados poderá reduzir progressivamente o espaço dos demais.

A eleição ainda precisa passar pelo período em que os candidatos deixam de ser nomes conhecidos apenas por segmentos específicos e passam a disputar a atenção de todo o eleitorado.

A disputa pela direita

Um dos principais campos de batalha será o eleitorado de direita.

Celina procura consolidar sua posição nesse espaço, combinando a imagem de gestora com alianças políticas e apoio de nomes de expressão nacional.

Arruda também possui trajetória e identificação com esse eleitorado.

A divisão desse campo político é um dos fatores que ajudam a explicar a força dos dois nomes na corrida pelo Buriti.

Para Celina, o desafio é manter a liderança sem depender exclusivamente de um único segmento eleitoral.

Para Arruda, é ampliar sua base e transformar a identificação existente em crescimento efetivo nas pesquisas.

O que mudou desde junho

A comparação entre as pesquisas ajuda a entender melhor o momento.

No primeiro levantamento considerado nesta sequência, Celina tinha 27,8%, contra 23,5% de Arruda. A diferença era de apenas 4,3 pontos percentuais e estava dentro da margem de erro daquele levantamento.

Agora, Celina aparece com 33,4% e Arruda com 23,7%.

A diferença passou para 9,7 pontos.

Não significa que o resultado de outubro esteja antecipado. Significa que, na fotografia atual, a governadora conseguiu transformar uma vantagem inicial em uma distância mais clara.

Essa é provavelmente a principal informação política produzida pelas pesquisas recentes.

A eleição começa de verdade

A campanha oficial chegou às ruas, e isso muda a dinâmica da disputa.

Até aqui, os candidatos construíram alianças, testaram discursos, participaram de eventos e procuraram medir forças antes da largada oficial.

Agora começa a fase em que o eleitor será exposto diariamente às propostas, aos ataques, às realizações, às críticas e às contradições de cada candidatura.

Celina começa com vantagem.

Arruda começa precisando reagir.

Os demais candidatos precisam encontrar espaço para crescer.

E quase 20% do eleitorado ainda não declarou preferência.

É por isso que as novas pesquisas redesenham a corrida, mas não encerram a disputa.

A fotografia de agosto favorece Celina Leão. O desafio dos próximos meses será descobrir se essa vantagem resistirá à campanha.

Fontes de apuração

  • Instituto Gazeta de Pesquisas (Igape) — levantamento realizado entre 10 e 15 de agosto de 2026, com 2 mil entrevistados, margem de erro de 2,2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
  • Tribunal Superior Eleitoral (TSE) — registro da pesquisa sob o número DF-02390/2026.
  • Instituto Opinião Inteligência Política — levantamentos anteriores utilizados para comparação da evolução das intenções de voto.
  • Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) — calendário eleitoral e informações sobre registro e julgamento das candidaturas.

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